Mostrando postagens com marcador machismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador machismo. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Lar, doce lar


Na tendência de mulheres priorizarem a família em lugar da carreira, algumas decidem voltar a ser donas de casa

Por décadas, as mulheres lutaram por trocar o avental de dona de casa por uma carreira e conseguiram chegar longe: são maioria nos cursos de graduação e pós-graduação e ocupam cada vez mais postos de gerência e diretoria. Mas agora surge um movimento na direção contrária: há mulheres reivindicando o direito de fazer exatamente aquilo que suas avós e as avós de suas avós faziam – cuidar dos filhos e da casa.


Diferentes pesquisas apontam que cada vez mais mulheres desejam priorizar a família. Na classe AB, de acordo com estudo Movimentos Femininos, do Ibope, esse percentual subiu de 8%, em 2005, para 15%, em 2008. Levantamentos com mulheres porto-alegrenses, da Rohde & Carvalho Diagnóstico e Pesquisa, indicam que, entre 2000 e 2007, reduziu-se à metade a parcela de mulheres que coloca a carreira em primeiro lugar. Mas algumas vão além de desacelerar o ritmo: movidas pelo desejo de acompanhar de perto os primeiros anos de vida dos filhos e amparadas por um marido com condições e disposição para ser o provedor da família, optam por interromper a carreira.

– Depois de décadas lutando, a mulher se deu conta de que os múltiplos papéis só estressam, viu que não dava conta de tudo. E fez uma opção – avalia Liliane Rodhe, professora da ESPM e sócia-diretora da Rohde & Carvalho.

Nesse retorno ao lar, as mulheres encontram um contexto diferente daquele vivido por suas avós: elas foram educadas para serem independentes em um tempo em que homens são cobrados a compartilhar direitos e responsabilidades, distantes do provedor à moda antiga.

Há quatro meses, antes mesmo de saber que estava grávida do segundo filho, a agente de viagens Roberta Saltz, 28 anos, decidiu deixar o emprego para se dedicar à filha, Sofia, dois anos e meio: julgava que a menina precisava mais do que quatro horas por dia com a mãe. O marido, o empresário Sandro Saltz, 35, admite que, no início, achou a ideia “meio retrógrada”, mas apoiou a decisão ao perceber que era importante para Roberta e por entender o afastamento dela do mercado como uma fase, até que os filhos fiquem maiores.

– Não estou trazendo dinheiro para casa, mas estou cuidando da nossa filha e da nossa casa. A vida em família está bem melhor – afirma Roberta.

– Está sendo muito positivo. – diz Sandro – Mas é legal ela ter outras atividades, além de casa e filhos, para não cair na mesmice da dona de casa da antiga.

A reinvenção do papel de dona de casa não significa necessariamente esquentar a barriga no fogão. As recém-chegadas são administradoras do lar, contam com a ajuda de empregadas (e eventualmente dos maridos), administram contas e compras, mantêm-se atualizadas, têm mais tempo para si mesmas e para os maridos – embora a prioridade seja os filhos. E apesar de já terem ouvido muito a pergunta “O que tu fazes o dia inteiro?”, afirmam que nunca falta o que fazer: a parada estratégica pode ser também o momento de investir em cursos de especialização de olho na volta ao mercado.

Essa foi a escolha de Lisiane Lahorgue, 33 anos. Ela atuava como coordenadora nacional de eventos e patrocínios de uma empresa de telefonia, viajava o Brasil todo e mal conseguia acertar a rotina com a do marido, diretor de arte de uma agência de publicidade. Decidiram diminuir o rimo para ter filhos e combinaram que ambos tentariam um emprego no Exterior: ele conseguiu primeiro, e Lisiane o acompanhou a Berlim, na Alemanha, lá engravidou e hoje estuda alemão, faz cursos de atualização e prepara a chegada de Alexandre, prevista para outubro.

– Minha mãe quase não acreditou que eu iria largar uma carreira bem-sucedida para cuidar de casa, marido, filhos. Mas minhas amigas, que trabalhavam na mesma área que eu, me apoiavam e diziam que gostariam de estar no meu lugar – conta Lisiane.

A advogada Manuela Monteiro, 26 anos, diz ouvir os mesmos relatos de outras mulheres. Ela deu à luz a Marina pouco antes de se formar, em 2007, e a família aumentou há quatro meses com a chegada de Martín. O plano de ter filhos cedo e de Manuela adiar a entrada no mercado foi uma decisão conjunta com o marido: um projeto afinado com um fenômeno que se esboça nos Estados Unidos, em que as mães, cada vez mais jovens, optam por dar à luz antes de engrenar na carreira.

– Quero curtir meus filhos e depois tenho a vida inteira para trabalhar – diz Manuela. – Minhas amigas dizem para eu aproveitar essa chance.

Por trás do desejo de voltar-se para a família está o afã geral de brecar a correria da vida cotidiana e uma vontade específica das mulheres que, em sua maioria, enfrentam uma jornada dupla administrando carreira, casa e filhos.

– As mulheres perceberam que ocuparam um pouco o lugar que era do homem, mas que ninguém ocupou o espaço dentro de casa – avalia Rubens Hannun, presidente do H2R Marketing em Pesquisas Avançadas, que também detectou a tendência de se voltar mais à família entre mulheres executivas.

Mas feministas veem com desconfiança essa volta ao papel de dona de casa. A historiadora Joana Maria Pedro, coordenadora do Instituto de Gênero da Universidade Federal de Santa Catarina, acredita que essa escolha pode significar no acordo do casal que as crianças são responsabilidade da mulher. E pergunta:

– Por que o marido não fica com as crianças, e elas seguem sua carreira?

No cenário atual, em que mulheres lutam por equiparação de salários, a resposta de Leila Costa, 40 anos, formada em Educação Física e ex-sócia de uma loja de decoração, possivelmente vale para muitas donas de casa por opção:

– Nem pensamos nessa alternativa, meu marido ganhava mais do que eu.

Leila deixou o trabalho para cuidar da filha, Isadora, quatro anos, e hoje, grávida novamente, confecciona bijuterias em casa em parceria com uma amiga.

– A decisão de parar de trabalhar foi fácil. Ficamos muito tempo tentando ter um bebê e sempre falei que não teria um filho para os outros cuidarem.

Em sua dissertação de mestrado, a psicológa Sabrina D’Affonseca, de São Carlos, comparou o desempenho escolar das crianças e indicadores de estresse tanto de famílias em que a mãe trabalhava fora, quanto nas que a mãe era dona de casa. E não encontrou diferenças relevantes – a não ser a culpa das que passavam o dia longe dos filhos e o medo que tinham de, com isso, prejudicar sua educação. Motivos fortes o bastante para impulsionar novas tendências.

Investimento na família

Em 2000, 56% das entrevistadas em Porto Alegre priorizavam a carreira. Esse número caiu para 27% em 2007.

Fonte: Rohde & Carvalho

Em 2005, 8% das mulheres da classe AB enquadravam-se no grupo intitulado “Família é tudo”. Em 2008 o percentual quase dobrou: 15%. São mulheres que se sentem realizadas nos papéis de mãe, esposa e dona de casa.

Na contracorrente

Com a estabilidade financeira, maior escolaridade e crescimento no mercado, as mulheres da classe C descobrem outras realizações além do lar. Em 2003, 67% das entrevistadas diziam realizar-se através dos filhos. Em 2008, foram apenas 45%.

Fonte: estudo Movimentos Femininos, promovido pelo Ibope e pelo Grupo Abril


PATRÍCIA ROCHA - http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2592505.xml&template=3898.dwt&edition=12786&section=1535

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Uma visão realmente lúcida da mulher

Por Caio Capelari

Uma "vitória" do movimento feminista eu sou forçado a admitir: conseguiu vender a idéia(ologia) de que a promoção da mulher necessariamente passa pelos trilhos dos DOGMAS FEMINISTAS.
Isso é forçoso reconhecer. Nós, sociedade, compramos e consumimos essa idéia(ologia).
Contudo, dou-me o direito de fazer uma análise crítica; porque, quanto a mim, não me CONTENTO com explicações simplistas, reducionistas e, principalmente, que careçam de fundamento antropológico consistente, especialmente quando se refere o ser humano, à sua ontologia.
Nesse sentido, concebo o feminismo como tão unilateral quanto o machismo, ao qual se contrapõe. Se formos capazes de contextualizar a gênese do moviemento feminista, ficaria muito mais fácil relativizar seus DOGMAS. O feminismo nasceu num contexto, como reação a esse contexto, com conceitos próprios desse contexto. Assim pressupões "padrões", "modelos", "conceitos" que existiam na Modernidade (ou Modernidade Tardia) no qual nasceu, os quais já não existem mais hoje, ou se existem, já estão modificados, já têm outros contornos, para o bem ou para o mal. O homem e a mulher modernos já não existem mais, SOMOS PÓS-MODERNOS.
O que eu quero dizer: NÃO ME DOU O DIREITO DE PENSAR COMO UM HOMEM MODERNO, COM CONCEITOS DA MODERNIDADE, COM UMA VISÃO DE MUNDO DA MODERNIDADE. NÃO! SOU PÓS-MODERNO OU PÓS-GLOBAL (neologismo recentíssimo, criado pelo premiér britânico Gordon Brown, para se referir a um modelo de sociedade que cada vez mais se fecha em tribos, guetos), DEVO PENSAR COM CONCEITOS DA PÓS-MODERNIDADE E, BEM MAIS, BUSCAR NOVOS CAMINHOS ALTERNATIVAS, JÁ QUE A PÓS-MODERNIDADE É PERÍODO DE DESCONSTRUÇÃO E RECONSTRUÇÃO.
Assim, o Feminismo apresenta uma defasagem acentuada de uma fundamento antropológico consistente, que atenda às necessidades do homem e da mulher pós-modernos. Não dá mais para acreditar na historinha de que o homem e a mulher são dois competidores para ver quem subjuga quem; ou numa "igualização" do homem e da mulher: SIM, O HOMEM E A MULHER SÃO IGUAIS EM DIGNIDADE, POIS PARTILHAM DA MESMA HUMANIDADE,ONTOLOGICAMENTE SÃO IGUAIS! MAS NÃO POSSO QUERER TRANSFORMAR AO "SER- MULHER" NO "SER-HOMEM", é até paradoxal: o MODELO DE SER-HUMANO ACABA SENDO O MASCULINO!!!!!!!!! ISSO É TRAIÇÃO DA PRÓPRIA NOÇÃO DE PROMOÇÃO DA MULHER...
Uma acertada figura do Padre Fábio de Melo elucida bem o que disse: o faminismo e o machismo são dois lados de uma mesma moeda, um é tão unilateral quanto o outro. Padre Fábio de Melo (e esse o título de um de seus livros) diz que as mulheres são deAÇO E DE FLORES. O machismo reduz a mulher ao "ser-flor": acentua a docilidade, a fragilidade, a sensibilidade, e ninguém negaria isso, mas com isso a mulher (pela metade) é apenas acessório do marido. O Feminismo não fica atrás no reducionismo, reagindo a essa redução machista, cai em outra: no legítimo de fazer a mulher independente, dona de si, sujeito (não objeto), autônoma, acaba por reduzi-la ao "ser-aço", fazendo-a "rígida", "dura", com forte traço de individualismo, belicista, incapaz de um relacionamento de coordenação, de comapnheirismo, compartilhação, enfim, de igualdade (o mesmo que o machismo fez com os homens...)
Pobres machismo e feminismo, não veem que a mulher é AÇO EFLOR...
Não! Não posso me contentar com uma visão pela metade nem de homem nem de mulher. Por isso adoto uma visão global, integral, HUMANISTA: antes de se falar em "macho", "fêmia", "homem", "mulher" eu tenho A HUMANIDADE DE CADA UM. Esse é o ponto de partida.
A promoção da mulher(QUE É FUNDAMENTALMENTE NECESSÁRIA E APÓIO VEEMENTEMENTE) vai muito além (e passa muito longe) dos DOGMAS feminsitas. Já deu muito tempo desse moviento amadurescer, sair de seu paradigma simplista, para uma visão holística.
Concepción Dancausa: coragem e visão lúcida.
Bem, chegamos até aqui e vim até aqui para inserir a declaração que me fez vir à frente do computador e postar essa mensagem. Um MULHER, num evento de homenagem ao Dia Internacional da Mulher, onde pipocavam aquelas concepções unilaterais de que falei, SURPREENDE, INOVA, SAI DOS "LUGARES-COMUNS". Trata-se da Delegada Família e Serviços Sociais da Espanha, Concepción Dancausa, que fez a seguintedeclaração:
Com base no discurso retórico da "extensão de direitos", em numerosos casos se esconde a ocultação de direitos que são sim fundamentais. Quero ressaltar que hoje o Conselho de Ministros vai aprovar um informe que, de fato, permite o aborto livre em nosso país (Espanha), e o vai fazer envolvendo-se no discurso dos direitos da mulher, ignorando que o direito à maternidade é um direito fundamental e requer proteção e apoio. Há propostas que, por mais que se vistam de retórica, não passam disso, essa é uma delas: O ABORTO NUNCA É UMA SOLUÇÃO, É UM FRACASSO PESSOAL E SOCIAL (...) ALGO GRAVE FALTA EM NOSSA SOCIEDADE QUANDO NÃO SOMOS CAPAZES DE GARANTIR UM DIREITO TÃO BÁSICO E TÃO ÍNTIMO.
Dancausa se sobressai porque não se vendeu à argumentação simplista de que o aborto é promoção da mulher, só uma visão reducionista de mulher pode acatar isso. Dancausa, como eu, vê uma mulher por inteiro, na sua globalidade e tem toda a razão quando diz que nós, como SOCIEDADE, FALHAMOS POR NÃO SERMOS CAPAZES DE ACOLHER A MULHER NESSA CONDIÇÃO POR INTEIRO, PARTILHAR DE SUAS ANGÚSTIAS, CERCÁ-LA DO CUIDADO DE QUE NECESSITA E NÃO SIMPLESMENTE CONDENÁ-LA À SOLUÇÃO MAIS DRÁSTICA E QUE É (DIGO SEM MEDO) UMA VIOLÊNCIA CONTRA MULHER, MAIS UMA DE TANTAS. NESSE MOMENTO NÃO SOMOS CAPAZES DE EFETIVAR A SOLIDARIEDADE SOCIAL PREVISTA NA CONSTITUIÇÃO ENTRE OS FUNDAMENTOS (PRESTE ATENÇÃO!!) DO ESTADO BRASILEIRO.
Enfim, a uma mulher que soube ser de aço-e-de-flores entre tantas mulheres que (sem nenhum julgamento) apenas souberam ser de-aço, A MINHA HOMENAGEM, POIS ISSO É SER MULHER POR INTEIRO, É COM MULHERES DE-AÇO-E-DE-FLORES (E DE HOMENS QUE SEJAM INTEIROS TAMBÉM) QUE CONSTRUIREMOS UMA CIVILIZAÇÃO NOVA!

sábado, 21 de novembro de 2009

Quando a ideologia de gênero se opõe à mulher

Entrevista com a socióloga chilena Ana María Yévenes Ramírez

Por Gilberto Hernández García

SANTIAGO DO CHILE, domingo, 7 de junho de 2009 (ZENIT.org-El Observador).- O tema da ideologia de gênero – em sua vertente mais difundida de “equidade de gênero” – ganhou muitas posições no cenário social e na agenda política; contudo, continua sendo um tópico difícil de se tratar visto que em muitos aspectos e em suas origens aponta em sentido contrário à essência da família.

A doutora Ana María Yévenez Ramírez, socióloga chilena e especialista em temas da família, faz uma análise da ideologia de gênero desde as ciências sociais e particularmente a partir da análise cultural. Esclarece que não pretende “demonizar absolutamente nada”, o que não significa a ausência de uma visão crítica.

O gênero é uma “construção” social?

–Ana María Yévenes Ramírez: A ideologia de gênero tem suas raízes nos movimentos feministas radicais dos anos sessenta, já que alguns autores que iniciaram esta ideologia dizem que o gênero é uma construção cultural, por conseguinte não é resultado do sexo, nem tão aparentemente fixo como o próprio sexo. Ao teorizar sobre isto, o gênero vem a ser como um artifício livre de ataduras; em consequência, homem e masculino poderiam significar tanto um corpo feminino como um masculino; mulher e feminino, tanto um corpo masculino como um feminino.

Estas ideias estiveram presentes dentro do debate que se fez tanto na opinião pública como nas discussões da IV Conferência da Mulher, patrocinada pela ONU em Pequim em 1995: As feministas de gênero manifestaram a urgência de desconstruir os papéis sociais de homem e mulher porque esta socialização afetava a mulher negativa e injustamente. O homem-marido, desde esta perspectiva, então aparece como um opressor, e passamos aqui do que é o conceito de luta de classes ao que podemos chamar luta de sexos.

Assim, o matrimônio e a família podem ser vistos quase como uma seita, e a maternidade como um estorvo. Toda diferença entre o homem e a mulher, sob esta visão, é construção social e portanto pode ser mudada. Já não existem, desta forma, dois sexo, mas muitas orientações sexuais.

–Como uma ideologia tão distante do normal teve tanta acolhida?

–Ana María Yévenes Ramírez: Porque abordou um problema real, a situação desvalorizada da mulher. Desta forma, a ideologia de gênero faz surgir o conceito de tomada de poder político, econômico, trabalhista e na relação com o casal. Deve-se ter em conta que as linhas originais sofreram grandes mudanças. Não chega às pessoas o que é a ideologia de gênero, digamos, de maneira quimicamente pura, como acontecem com todas as coisas. Particularmente na América Latina, vivemos processos de individuação e mestiçagem. Por exemplo, fala-se do combate do machismo, como bandeira de luta tão presente no México. No Chile, há muitas mulheres que participaram de programas dos diferentes governos no tema da igualdade de gênero, mas quando se lhes propõem estes outros temas, a visão da família, a visão da maternidade, não concordam com isso.

O que hoje se aplica como equidade de gênero não é o que originalmente se aplicava a este pensamento; este processo de mestiçagem é parte da mudança cultural mais profunda que se produz em nossa sociedade. Basta lembrar que a mudança se inicia em como usamos nossas palavras, na linguagem que utilizamos. Junto com a crítica que se dirige a esta ideologia, devemos fazer-nos uma autocrítica como Igreja Católica: que resposta nós demos a esta problemática de fundo? Sinto que muito do que aconteceu é nossa responsabilidade por nosso silêncio, por não termos respondido a essa necessidade que havia dentro da cultura.

–A ideologia de gênero oferece alguma contribuição positiva?

–Ana María Yévenes Ramírez: Primeiramente, colocar a mulher no foco porque objetivamente a mulher estava sendo de alguma forma ignorada: parte disso é porque o tema do trabalho remunerado considerava o trabalho doméstico muito distante. Também a ideologia de gênero trouxe melhoras substanciais em matéria de saúde da mulher; maior cuidado físico, por exemplo na detenção de alguns tipos de câncer; uma maior preocupação pelo corpo; trouxe também uma maior proteção à mulher quanto ao tema da violência familiar; ou em matéria trabalhista. Permitiu melhorar o acesso a uma maior educação formal da mulher.

–E negativa?

–Ana María Yévenes Ramírez: A ideologia de gênero fomentou uma tomada de poder antagônica da mulher contra o homem. Na prática, transformou a mulher em um objeto que era exatamente o que se pretendia combater. Digo um objeto, porque segundo muitos textos dos estudos que estão sendo desenvolvidos sobre esta matéria, se privilegia a dimensão econômica, do desenvolvimento, do trabalho acima do desenvolvimento humano e próprio da mulher, consequência precisamente do anterior é que o desenvolvimento integral da mulher está se tornando um obstáculo, e com isso a mulher está sendo privada da felicidade.

–Finalmente, quais são as repercussões na família?

–Ana María Yévenes Ramírez: Não é um mistério para ninguém como aumentou o número de mulheres assassinadas por seus companheiros porque não se trabalhou com os homens na mesma velocidade com que se trabalhou com as mulheres. Também causou impacto no tema do testemunho, porque ao final nossos jovens se entusiasmam pelo matrimônio pelo testemunho que recebem, testemunho de amor, de companheirismo. E mais, está-se colocando em cheque o desenvolvimento dos povos.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O Cavalheirismo e a Diferença entre Homens e Mulheres


Por Liliana Pellegrini



Homens e mulheres são diferentes e ponto.

Isso não quer dizer que um não possa fazer tudo que o outro faz, exceto o que as diferenças biológicas do gênero impedem, é claro. Mas de resto tudo que um homem faz, a mulher pode fazer e tudo que uma mulher faz, um homem pode fazer.

Tudinho.

Tem muita gente que ainda não se tocou disso. Tanto algumas mulheres como alguns homens ainda acham que há diferenças nas capacidades quanto ao gênero.Mas isso está mudando rápido.

E às vezes para demonstrar que certas mulheres são capazes de fazer coisas que antigamente só homens faziam, elas se comportam com modos de homens. A mesma coisa acontece com homens fazendo coisas de mulheres, ficam feminilizados demais.

E qual seria o equilíbrio?

Na medida que cada um sabe de suas capacidades e potencialidades, ela ou ele as realiza de forma de acordo com seu jeito próprio. Não estereotipado, caricaturado. O jeito da pessoa. Tranquila consigo mesma. Sendo mulher ou homem e exercendo sua feminilidade ou masculinidade sem travas, medos ou preconceitos.

Por isso que eu, como mulher, gosto de homens cavalheiros.

Eu sei que eu posso fazer tudo que um homem faz. Estou tranquila com isso. Na falta de um homem eu me viro muito bem: pago o restaurante, abro a porta do carro, carrego pesos, arrumo o carro, conserto coisas, prego quadros, troco lâmpadas, dirijo o carro, uso a furadeira, cavo buracos, discuto com os empregados do sítio, resolvo problemas com bêbados, me defendo na rua, falo grosso e muitas coisas mais. Posso dizer que sou mais homem que a maioria dos homens que já conheci. E, ao mesmo tempo, sou bem mulher, bem feminina.

Eu não tenho que provar nada disso para ninguém. Eu já sei disso. Eu faço tudo isso quando necessário.

E os homens? Como ficam eles ao se relacionarem com mulheres tão completas?

Da mesma forma que nós ficaríamos ao nos relacionarmos com homens completos que não precisariam de nós.

Aí entra o Cavalheirismo. Atitudes e gestos sociais de gentileza, respeito e deferência de homens para mulheres, quando homens podem ser homens e mulheres podem ser mulheres na boa.

Como eu disse no início, homens são diferentes de mulheres, não dá para negar. Mas podemos fazer as mesmas coisas, também não dá para negar. Então como exercer essas diferenças de forma saudável no dia a dia?

O homem sendo cavalheiro expressa o que ele tem de melhor na sua masculinidade. E a mulher aceitando esta deferência não está sendo diminuída, está sendo mulher.

O texto soou antiquado?

Bem, é a minha opinião.

Eu gosto quando abrem a porta do carro para mim. Eu gosto quando carregam meus pacotes. Eu gosto quando andam do lado de fora da rua. Eu gosto quando pagam a conta do jantar. Eu gosto quando colocam o paletó em meus ombros para eu não passar frio. Eu gosto que me dêem passagem primeiro na porta e abram a porta para mim. Eu gosto que me dêem o braço quando eu estiver com um salto muito alto num piso ruim de andar. Eu gosto de ser tratada como uma dama, uma princesa, como uma rainha.

E isso não vale apenas para os homens que nos relacionamos mais intimamente. Vale para qualquer homem. Para aquele que dá lugar para eu sentar. Para aquele que ajudou a trocar meu pneu na rua. Para o que segurou a porta do elevador.

Viva o cavalheirismo!

domingo, 8 de junho de 2008

A ideologia do gênero: seus perigos e seus alcances

Abaixo, a apresentação de um importantíssimo documento dos Bispos peruanos, sobre os temas tratados neste blog. A tradução do castelhano foi feita pelo pessoal do Veritatis Splendor, que também a publicou.

Leia o documento inteiro clicando aqui.

Boa leitura!

------------------------------------------------------
Conferência Episcopal Peruana
Comissão Episcopal do Apostolado Leigo
Comissão Ad-Hoc da Mulher
A IDEOLOGIA DO GÊNERO: SEUS PERIGOS E ALCANCES


APRESENTAÇÃO

Tem-se ouvido durante estes últimos anos a expressão "gênero" e muitos imaginam que é apenas uma outra maneira de se referir à divisão da humanidade em dois sexos. Porém, por detrás desta palavra se esconde toda uma ideologia que pretende, precisamente, modificar o pensamento dos seres humanos acerca desta estrutura bipolar.

Os proponentes desta ideologia querem afirmar que as diferenças entre o homem e a mulher, fora as óbvias diferenças anatômicas, não correspondem a uma natureza fixa que torne alguns seres humanos homens e, a outros, mulheres. Pensam, além disso, que as diferenças de pensar, agir e valorizar a si mesmos são produto da cultura de um país e de uma época determinadas, que atribui a cada grupo de pessoas uma série de características que se explicam pelas conveniências das estruturas sociais de certa sociedade.

Querem se rebelar contra isto e deixar à liberdade de cada um o tipo de "gênero" a que quer pertencer, todos igualmente válidos. Isto faz com que homens e mulheres heterossexuais, os homossexuais, as lésbicas e os bissexuais sejam apenas modos de comportamento sexual produto da escolha de cada pessoa, liberdade que todos os demais devem respeitar.

Não é necessária muita reflexão para se dar conta de quão revolucionária é esta posição e das conseqüências que implicam a negação de que há uma natureza dada a cada um dos seres humanos por seu capital genético. Dilui-se a diferença entre os sexos como algo convencionalmente atribuído pela sociedade e cada um pode "inventar" a si mesmo.

Toda a moral fica à livre decisão do indivíduo e desaparece a diferença entre o permitido e o proibido nesta matéria. As conseqüências religiosas são também óbvias. É conveniente que o público em geral perceba claramente o que tudo isto significa, pois os proponentes desta ideologia usam sistematicamente uma linguagem equívoca para poder se infiltrar mais facilmente no ambiente, enquanto habituam as pessoas a pensar como eles. Este livreto pode auxiliar muito na precisão dos conceitos e chamar a uma tomada de posição em relação à mencionada ideologia.

Mons. Oscar Alzamora Revoredo, S.M.
Bispo Auxiliar de Lima - Membro da CEAL
Lima, Abril 1998.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O machismo sutil

Vivemos em mundo de mulheres-maravilha, onde todas nós podemos tudo e o mundo está aos nossos pés. Somos mulheres que trabalhamos, estudamos, cuidamos da casa e dos filhos e ainda temos que ficar lindas como eternas jovens de vinte anos. Ou então, as mais jovens (e às vezes até mais velhas), somos liberais, donas de nosso corpo, temos o homem que queremos, como e quando quisermos. Será?

Tudo isso é uma casca que somos obrigadas a vestir, mostrando caras felizes e argumentos vazios para agradar a sociedade. Por dentro estamos esgotadas, destruídas, humilhadas, solitárias e infelizes. O problema não foram os direitos adquiridos pela mulher, mas foi o que fizemos com esses direitos e, mais ainda, que tipo de direito reivindicamos.

O direito de ter que ser jovem a vida inteira? O direito de ser igual a um homem? O direito à libertinagem? Ou, pior, o direito de matar quem está dentro de nós, só porque “mandamos” em nosso corpo? Sem contar os outros “direitos” por aí.

Na sociedade renascentista as mulheres passaram a agir como na sociedade romano-helênica e foram daí a pior. A loucura do culto ao corpo é apenas o exemplo mais evidente que qualquer um nota. Entretanto, por trás desse mal, aparecem outros bem piores. "Agradeçamos", então, ao feminismo que nos colocou na mesma condição de um homem. Daí as mulheres-maravilha! Se antes do advento do cristianismo a tentativa era de subjugar e escravizar as mulheres, como seres inferiores ao homem, nos dias hodiernos quem está buscando isso são as próprias mulheres!

O feminismo, ao pretender que as mulheres sejam dignas e respeitadas porque iguais ao homem em tudo, nada mais faz do que ignorar as diferenças entre os dois sexos. Se a mulher é digna quando é igual ao homem, então o homem é o parâmetro. E isso é machismo! Se a mulher só é livre e respeitada porque faz tudo o que faz o homem, então o homem é o ideal a ser alcançado, o exemplo a ser imitado. E isso é machismo! O feminismo, pois, é uma forma sutil de machismo.

Aparecem nos meios de comunicação garotas (ou nem tanto) semi-nuas, quando não totalmente, falando apenas besteiras e propagando uma felicidade que não existe. Como se o corpinho delas fosse, e é, uma arma muito poderosa, sem se dar conta que nenhuma plástica do mundo vai lhe dar um transplante de cérebro. Quando tiverem sessenta e poucos anos, ao invés de estarem rodeadas da família pela qual pelejaram a vida inteira para manter feliz e unida, e com memórias de um passado de ações positivas por uma sociedade melhor e dedicação aos outros, terão apenas recortes de jornais em um apartamento solitário talvez com alguns gatos para lhes fazer companhia. Uma vida fútil, vazia, sem Deus e os valores cristãos que as mesmas sempre tanto combateram.

Tais valores cristãos, frise-se, ao arrepio das feministas, é que possibilitaram que, na Idade Média, por exemplo – época aquela, em que o espírito do Evangelho governou os povos, no dizer de Leão XIII –, garantias jurídicas passassem a existir para a companheira do homem, que lhe é igual em dignidade. A defesa da mulher, o reconhecimento de sua condição ontológica e seus direitos legais são fruto dos valores que as feministas tanto odeiam. Colocaram as mulheres como mulheres, femininas, fortes, rainhas do lar, sim! Mas nem por isso menos que o homem! Só quem tem uma família sabe o quão difícil e o quanto exige de inteligência e jogo de cintura para organizar, administrar, acalmar, saciar, etc.

Ser mulher é acima de tudo ser mãe, ainda que não tenha filhos nem seja casada. É fazer como Nossa Senhora, a melhor mulher que já existiu no mundo, é cuidar do próximo, é estar sempre atenta às necessidades de outro, é ser digna, é se doar, é ser coração, mas deixando que ele seja comandado pelo intelecto e pela sensibilidade que é peculiar à alma feminina.

Somos diferentes, homens e mulheres, nem piores e nem melhores por causa disso.

Cada com seu fundamental papel a desempenhar. Temos que deixar nossos homens serem homens e ensinar assim nossos filhos. Por mais que saibamos trocar uma lâmpada, um pneu, abrir uma tampa de vidro apertada ou brigarmos com a companhia telefônica. Deixemos que os mesmos o façam e os incentivemos para tanto. Mostremos nossas habilidades apenas para nós mesmas, se, e quando necessário. Sigamos o exemplo de Maria, pois se alcançarmos um pedacinho do que ela foi, já seremos mais do que meras mulheres-maravilha.