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segunda-feira, 11 de maio de 2015

O feminismo não liberta as mulheres


Nota: A publicação de “O Outro Lado do Feminismo” necessita do seu apoio. Clique em www.kickante.com.br/outrolado e garanta seu exemplar.
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A autora Suzanne Venker não acha que o movimento feminista tenha libertado as mulheres. Na verdade, ela pensa que o feminismo sabotou a felicidade das mulheres. Venker escreve que “de acordo com um relatório de 2007 do Escritório Nacional de Pesquisa Econômico, quanto mais as mulheres ganharam liberdade, educação e poder, menos felizes elas se tornaram”.

A graduada na Universidade de Boston se juntou à sua tia, a pensadora conservadora Phyllis Schlafly, para escrever o livro “O Outro Lado do Feminismo”.
Lavagem Cerebral

“Quando uma multidão adota uma opinião em massa, todo o pensamento crítico acaba.” (William Powers)



Quando o assunto é as mulheres na América, “progresso” é a palavra de ordem. De acordo com o Free Online Dictionary, progresso significa “melhoria estável ou da sociedade ou da civilização”. É um termo relativo — como se pode melhorar qualquer coisa é algo inteiramente subjetivo. Ainda assim, quando falamos sobre as mulheres na América, o progresso nunca é definido, debatido ou qualificado. A questão está enganosamente sendo dada como resolvida.

Nas últimas décadas, é amplamente aceito que as mulheres na América frequentemente, se não sempre, ficam com os bagaços da laranja. De acordo com as feministas, as mulheres, como os negros, foram oprimidas por séculos. É-nos dito que não progredimos o suficiente e que a sociedade ainda não igualou as oportunidades. Essa filosofia está tão impregnada em nossa cultura que os americanos não a questionam. Nem mesmo rotulamos como “feminista” pensar assim; é simplesmente lugar-comum acreditar que as mulheres sofrem discriminação. Ligue a televisão, folheie uma revista, ou preste atenção às ondas de rádio, e você será inundado de histórias de mulheres que se perguntam como suas necessidades podem ser melhor satisfeitas, como elas podem melhor equilibrar suas vidas ou como elas podem lidar com uma miríade de problemas e perigos que encaram. As reclamações das mulheres agora dominam a conversa.

Mas reclamações são como capim-colchão: quanto mais acaloradas elas se tornam, mais elas se espalham. As organizações feministas até mesmo promovem o crescimento das reclamações com as “sessões de conscientização”, nas quais feministas trocam relatos de como alguns homens as maltrataram e discutem o que o governo deveria fazer para compensar.

Entretanto, enterrada abaixo da superfície repousa a verdade: As mulheres americanas são os seres humanos mais afortunados que já viveram. Ninguém esteve em situação melhor. Ninguém.

Essa é uma nova e chocante mudança em um velho debate. Até mesmo soa descabida em um pedaço de papel ou escapando da boca. Isso ocorre porque os americanos têm sido condicionados a acreditar em outra coisa. Milhões de americanos pensam que o progresso exige que as mulheres se libertem — libertem-se dos homens, das crianças, das construções da sociedade, de quase tudo que faz as mulheres se sentirem em dever para com alguém ou algo que não seja elas mesmas.

A parte mais triste dessa visão equivocada da natureza humana é que ela não tornou as mulheres mais felizes. Na verdade, ela fez exatamente o contrário. De acordo com um relatório de 2007 do Escritório Nacional de Pesquisa Econômica, “assim que as mulheres ganharam mais liberdade, educação e poder, elas se tornaram mais infelizes”.

Os autores desse relatório, Betsey Stevenson e Justin Wolfers, sugerem que “a proeminência do movimento das mulheres forneceu uma euforia nos anos 70 que foi se dissipando nos anos seguintes”. Isso não é surpresa. A maioria das mulheres da América está à centro-direita e não quer o que as mulheres de esquerda querem. A maioria das mulheres deste país é tradicionalista e não quer mudar a América.

As feministas querem. Elas passaram décadas tentando convencer as mulheres de que a América precisa acomodar o feminismo para que então as mulheres possam ser desacorrentadas, libertadas e pressupostamente felizes. Essa tem sido uma ideia sedutora. As mulheres certamente gostam da ideia de ficarem livres de suas responsabilidades de vez em quando; elas podem gostar do pensamento de serem libertadas de maridos e filhos às vezes. Quem não gostaria?  O casamento e a maternidade exigem muito trabalho e sacrifício. Mas as mulheres não querem ser “livres”, se ser livre significa ser solteira, dependente do governo ou mesmo uma figura poderosa sem tempo para a família. A maioria das mulheres na América quer o que uma pessoa razoável quer: uma família para amar e — sim — da qual até mesmo depender.

A esquerda feminina quer algo mais. “Enquanto nos aproximamos do novo século — e do novo milênio —, são os homens que têm de transpassar a barreira para que cheguem a uma nova forma de pensar sobre eles mesmos e sobre a sociedade”, escreveu Betty Friedan na edição de 2001 de seu livro histórico de 1963, The Feminine Mystique. “É uma pena que as mulheres não possam fazê-lo por eles e não vão muito longe sem eles. Porque é maravilhoso considerar como as mulheres mudaram as possibilidades de nossas vidas desde que transpassamos a barreira da mística feminina há apenas duas gerações;”

Essas poderosas palavras ajudaram a formatar toda uma geração de mulheres americanas. Implícita na visão de mundo de Friedan — a visão que muitos americanos foram criados para aceitar — está a noção de que as mulheres são oprimidas, e que os homens é que precisam mudar. Friedan acreditava que desigualdades eram severamente impostas às mulheres. A única forma de eliminar a opressão às mulheres, ela dizia, é mudar os homens e a sociedade  — criar uma América diferente, que seja mais justa e equitativa para com as mulheres.

Aqueles tentados a desconsiderar Betty Friedan como alguém que não tem mais influência não devem fazê-lo. As palavras dela vivem nas mentes de mulheres esquerdistas influentes cujas metas em nada diferem das de Friedan. Em novembro de 2009, Maria Shriver, trabalhando em conjunto com o think tank de esquerda Center for American Progress, produziu um documento exaustivo de quatrocentas páginas intitulado The Shriver Report: A Woman’s Nation Changes Everything (O Relatório Shriver: Uma Nação de Mulheres Muda Tudo, em tradução livre). O seu argumento argumento principal é que as políticas do governo e as leis “continuam a se basear em um modelo ultrapassado de família americana”.

Shriver e companhia — o que inclui Oprah Winfrey — procuram remediar esse suposto problema relatando que não estamos mais vivendo em um “mundo do homem”, mas em um “mundo da mulher”. Elas consideram a família tradicional uma coisa do passado, o que é bom para elas porque o que as feministas realmente querem é um matriarcado. E agora elas admitiram isso. O Relatório Shiver alardeou que “enquanto passamos por essa fase que estamos chamando de ‘uma nação da mulher’, as mulheres podem transformar seu papel principal como assalariadas, como consumidoras, como patroas, como formadoras de opinião e como co-iguais no que quer que seja feito em uma poderosa força pela mudança. O emergente poder econômico dá às mulheres um novo lugar na mesa — na cabeceira.”

A cada dois anos as revistas Time e Newsweek perguntam se “o feminismo morreu”. Ele não morreu. Enquanto as pessoas associam o feminismo à revolução da década de 60, já que foi aí que o feminismo começou, o feminismo e as feministas não desapareceram só porque não estão mais marchando nas ruas. Elas simplesmente abandonaram os protestos barulhentos e se metamorfosearam no tecido da sociedade. A esquerda ofereceu às feministas um lar, um lugar onde elas poderiam confortavelmente se divertir — junto com os Barack Obamas do mundo — e planejar sua estratégia para “transformar fundamentalmente” a América.


[Nota: este texto faz parte do plano de comunicação do livro “O Outro Lado do Feminismo”, que precisa do seu apoio para ser publicado no Brasil. Entre no site http://kickante.com.br/outrolado e garanta sua cópia antecipadamente.]

Tradução: Ramiro Freire

sábado, 9 de maio de 2015

As mulheres estão mais felizes do que há trinta anos?


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As mulheres estão mais felizes do que há trinta anos?

Elas deveriam estar, de acordo com a posição feminista.

Mas não estão.



Um excelente novo livro, O Outro Lado do Feminismo, explica por quê. Escrito por Phyllis Schlafly, ícone das mulheres conservadoras, e sua sobrinha Suzanne Venker, este livro espirituoso e de rápida leitura desmantela o mito do feminismo e prescreve um “novo roteiro” para a felicidade das mulheres.

Foi um privilégio incrível para mim me reunir com a sra. Schlafly pela primeira vez quando eu era uma garota de 16 anos impressionável. Minha mãe me levou para um evento Eagle Forum em uma época em que as feministas e a mídia atacavam a família e a liberdade com a autoproclamada “Emenda de Direitos Iguais” socialista. Ela me inspirou a comprometer minha própria vida pelo trabalho de proteger as famílias, a liberdade e os nossos direitos de praticarmos nossa fé. Por volta de trinta anos depois, tive o privilégio de levar minha filha de 16 anos a um evento Eagle Forum coordenado pela sra. Schlaffly – e estou muito grata por dizer que ela também foi inspirada a proteger valores atemporais.

Dei uma cópia de “O Outro Lado do Feminismo” a minha filha para ajudar a armá-la com os fatos e com a munição para lutar contra as mentiras do movimento feminista moderno. Com meticulosidade devastadora, as autoras desembalam as várias razões por que tão poucas mulheres hoje em dia estão dispostas a reivindicar o rótulo de “feminista”. Mas primeiro, a sra. Schlafly e a sra. Venker desacreditam a ideia de que o feminismo moderno tem tudo a ver com igualdade. O “feminismo” não é nada mais que a “esquerda feminina” direcionada a impor uma agenda esquerdista e radical às famílias, aos negócios e às instituições.

Segundo, a promessa feminista de que as mulheres podem simplesmente ser como homens e desfrutar de tudo o que os homens tipicamente fazem – como sexo casual, longas horas no trabalho, menos tempo com a família – se provou vazia. Sofrimento, relações despedaçadas, casamentos fracassados, doenças sexualmente transmitidas, aborto e índices vertiginosos de crianças emocionalmente feridas tem sido o verdadeiro legado do feminismo. Acontece – não é surpresa – que a natureza humana não pode ser repelida, revogada por decreto judicial ou reformatada por mensagens midiáticas.

A pesquisa é clara: as mulheres querem o melhor. As mulheres americanas querem se casar; querem cuidar de seus próprios filhos, em vez de mandá-los para as creches; e preferem trabalhar em tempo parcial em vez de trabalhar as longas horas de um executivo-chefe. (De acordo com o Pew Research Center, quase dois terços das mães trabalhadores com filhos com menos de 17 anos dizem que prefeririam trabalhar em tempo parcial – um salto significativo apenas nos últimos dez anos.) E as mulheres de hoje realmente querem que seus casamentos durem.

Não é muito tarde para mudarmos nosso futuro. Essas autoras sábias e maravilhosas encorajam as mulheres, especialmente as conservadoras, a perseguir uma perspectiva e um futuro em que “as mulheres não precisem se definir usando o feminismo como referência”.

Como começar? Primeiro, leia “O Outro Lado do Feminismo”. Compartilhe uma cópia com suas amigas, irmãs, filhas, pastoras e com as professoras de seus filhos. Discuta o livro com os homens de sua vida – a tentativa feminista de passar por cima da natureza humana tem sido confusa para os homens também.

Segundo, reconheça onde, em sua vida, você tem inadvertidamente tomado as atitudes vitimistas das líderes feministas – e jogue fora esses sentimentos.

A vida é o que nós fazemos dela. Abrace a bondade em sua vida e siga adiante para superar as dificuldades que são parte natural de sua vida diária. A sra. Schlafly e a sra. Venker montaram uma página formidável para dar a você a inspiração e as ferramentas para combater os ataques constantes pensados para lhe derrubar: www.theflipsideoffeminism.com

No final do livro, as autoras lembram às mulheres que “até Abraham Lincoln disse que muitas pessoas são felizes na medida em que formam suas mentes para tal. Para as mulheres, a resposta reside em nossa decisão de estarmos satisfeitas.”


Tradução: Ramiro Freire

Para apoiar o financiamento coletivo da campanha, visite www.kickante.com.br/outrolado

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Crise da feminilidade


É um erro atribuir a crise da feminilidade exclusivamente às pretensões feministas. Claro que elas têm sua parcela de culpa, mas muitas vezes são meras conseqüências de equívocos anteriores, radicalização de uma bandeira para combater um excesso antagônico. De certa forma, o colapso do papel da mulher se deve também ao fato de que muitos homens, desde pouco depois da Revolução Industrial, esqueceram qual a sua missão específica.

Quem é a mulher? O que ela é? Onde reside sua dignidade?



A dignidade da mulher procede primeiro de sua natureza humana. Igual ao homem em essência, criada, pois, por Deus, é digna por si só, é digna por ser imagem e semelhança do Criador, é digna por sua ontológica liberdade, por sua vontade, sua idoneidade intelectual. Sem embargo, há uma fonte de sua dignidade: a capacidade de ser mãe. A maternidade, ainda que não se efetive em todas, por vocação ou por alguma impossibilidade física ou psicológica concreta, está presente em potência no gênero feminino e é ela que faz a mulher ainda mais semelhante a Deus em seus acidentes. Os cristãos entendem que, como o Pai gera o Filho, a mulher pode gerar sua prole. É uma participação toda especial no ato criador. E isso a faz toda especial, tanto quanto o homem em sua essência, e, ouso dizer, mais do que ele em seus acidentes por esse caráter sagrado de gerar vida.

Ao contrário do que muitos sustentam, o cristianismo não vê nem nunca viu o casamento como um mal menor, como algo a ser meramente tolerado. Pelo contrário, a Igreja Católica ensina que o casamento é tão bom que não apenas foi criado por Deus, como elevado depois, por Jesus Cristo, à condição de sacramento.

E o casamento cristão confere uma igualdade de dignidade à mulher, ao contrário do mundo antigo, em que o marido era dono da esposa. É o cristianismo a primeira grande proclamação de liberdade da mulher. E no casamento, não fora dele, como hoje bradam as feministas. O casamento é a celebração da liberdade e não a promoção da escravidão da mulher. É um locus onde a dignidade da mulher pode ser festejada de modo muito claro, até porque nele é possível, com bastante nitidez, perceber em ato as características psicológicas da mulher, muito ligadas a seus elementos distintivos físicos.

De fato, a mulher se difere fisicamente do homem não só pela anatomia corpórea, como pela maturidade precoce, pelo ritmo assinalado pelo ciclo menstrual, pela ação forte dos hormônios, sobretudo na tensão que antecede o fluxo, e pela potencialidade de marcar sua existência pela gravidez, nascimento dos filhos e amamentação. Ademais, é notória, em linhas gerais, sua maior vulnerabilidade em relação ao indivíduo do sexo masculino.

Nesse sentido, entendendo-se o ser humano como um ser integral, é inevitável que se chegue a conclusão da existência de características psicológicas próprias da mulher, distintas do homem. Claro, isso não invalida que cada mulher seja única em seu aparelho psíquico, assim como é única em sua conformação física; nem que existam determinados grupos de temperamentos que distingam mulheres umas das outras, aproximem igualmente umas das outras e, até mesmo, as façam semelhantes, por eles, a alguns homens com os mesmos temperamentos, ao menos em alguns aspectos. Há, sem embargo, traços gerais emocionais e espirituais que são específicos do feminino, em contraposição ao masculino. Como fisicamente se completam os corpos masculino e feminino, também  nas idiossincrasias psicológicas isso ocorre.

Se o homem é o caçador, a mulher é a protetora da casa. Ela está – como expõe Carlos Ramalhete – mais para primeiro-ministro do que para ministro das relações exteriores. Isso parte da premissa psicológica de que a mulher tem todo um ajustamento interior para a defesa, mais do que para o ataque. E essa atitude de defesa é própria de quem tem por missão – adequada a seu físico preparado para a concepção, gestação e nascimento -  os primeiros cuidados com a prole.

Daí que a feminilidade seja receptiva. É próprio dela receber a “semente” do homem em seu seio, gestando e guardando a vida humana desde o seu início. Ela é a destinatária do amor para, sendo amada, amar. Ensina João Paulo II: “Quando dizemos que a mulher é aquela que recebe amor para, por sua vez, amar, não entendemos só ou antes de tudo a relação esponsal específica do matrimônio. Entendemos algo mais universal, fundado no próprio fato de ser mulher no conjunto das relações interpessoais, que nas formas mais diversas estruturam a convivência e a colaboração entre as pessoas, homens e mulheres. Neste contexto, amplo e diversificado, a mulher representa um valor particular como pessoa humana e, ao mesmo tempo, como pessoa concreta, pelo fato da sua feminilidade. Isto se refere a todas as mulheres e a cada uma delas, independentemente do contexto cultural em que cada uma se encontra e das suas características espirituais, psíquicas e corporais, como, por exemplo, a idade, a instrução, a saúde, o trabalho, o fato de ser casada ou solteira.” (Mulieris Dignitatem, 29)



A presente crise da feminilidade é, pois, uma negação, total ou parcial, do exposto acima, e gera os tremendos desequilíbrios da sociedade atual. Mas essa crise é, ao menos em alguns pontos, consequência da crise da masculinidade.

Os homens, há tempos, vem sofrendo com a crise do secularismo, segundo Alice Von Hildebrand. Pais de família creram que, para obter reconhecimento, tinham que ter poder, dinheiro e tudo que esteja ligado a eles, desprezando qualquer outra atividade que lhes seja também natural, ainda que secundária, como o cuidado com sua família. O homem se burocratizou e isso atingiu em cheio a masculinidade.

A família para esses homens virou apenas lazer ou acessório para ostentação social. Levando ao sofrimento da esposa e de seus filhos. Os casamentos começaram a ruir, pois mulher nenhuma suporta tanto desprezo e abandono. Tampouco ver essa apatia com sua prole.

Um dos sintomas da crise de identidade feminina é a fuga da dor de muitas mulheres atuais. Isso é uma clara manifestação de hedonismo. Grande parte das mulheres de hoje fogem da dor porque foram formadas no feminismo, que se transmite não só em postulados teóricos e acadêmicos, mas na visão que o mundo nos oferece do papel da mulher, nos veículos de comunicação, e até nas conversas informais, do salão de beleza ao restaurante com as amigas. E o feminismo copia não o homem, mas o homem piorado do fim do séc. XIX, de todo o séc. XX e do início do séc. XXI, com seus prazeres desmedidos, e com uma visão de trabalho não integrado ao lar, como explicou a Dra. Alice mais acima. É o homem aburguesado…

Primeiro é o homem que foge às suas responsabilidades de marido e pai, deixa de estar presente com a família e se concentra só no trabalho, mas não necessariamente para prover a família, e sim para juntar dinheiro e desfrutar de prazeres – alguns lícitos até, em si mesmos. A mulher, ao querer a independência, vai copiar esse modelo de homem, e não o “antigo”. A crise do feminino nasce de uma crise do masculino. E aquela vai gerar uma nova crise masculina hoje em dia, que não é, todavia, o propósito deste artigo, porém merece ser relembrada: é ela que cria tanto o neo-brutamontes do tal “movimento masculinista”, machão e “pegador”, desprezador da mulher, que a considera sempre ou na maioria das vezes uma vagabunda, quanto o sensível em excesso, piegas, que, querendo poupar a mulher de alguns dissabores – o que faz bem – acaba por assumir papéis femininos – o que faz mal –, e, enfim, cria também o metrossexual, que com sua namorada compete por cremes e tratamentos de beleza.

Para enfrentar a desfiguração da mulher, não basta atacar os fundamentos do feminismo, aderindo a eles com a mesma disposição de quem sustenta os clichês daquele. Pelo contrário, como a destruição de um castelo de cartas leva bem menos tempo e paciência do que reconstruí-lo, urge fazer um trabalho de formiguinha, em todos os campos, para reerguer em sua dignidade o ser humano completo, mulher e homem.

sábado, 26 de abril de 2014

Dica #1 para honrar seu esposo: ser submissa a ele como cabeça do casal

Como a maioria de vocês sabe, tenho um outro blog, com meu marido, para tratar de assuntos relacionados à família cristã, o Domestica Ecclesia. Na fanpage do Facebook relacionada a esse outro blog, postamos uma série de "memes" com frases curtas, dicas para honrar sua esposa e dicas para honrar seu esposo. Mais tarde, no blog Domestica Ecclesia, vamos fazer reflexões mais aprofundadas sobre elas: um post sobre as dicas para honrar a esposa e um post sobre as dicas para honrar o esposo.

O foco do Femina é outro, então, vou iniciar uma série em que cada dica será um post. E tratarei apenas das dicas para honrar o esposo. Farei pequenos comentários sobre cada dica.

Essa é a primeira!


O texto que uso para explicar essa dica foi extraído do livro que estou escrevendo com meu marido sobre a família católica como uma Igreja doméstica:

Mulheres, sede submissas a vossos maridos, porque assim convém, no Senhor. (Cl 3,18)




O marido é a cabeça do casal e o chefe de família. Mas isso não importa em uma falsa liderança despótica, dando ordens descabidas, como se a mulher e os filhos fossem sua propriedade. O cristianismo inaugura uma era de dignidade da mulher e de preservação de sua igualdade essencial com o homem, diferente das concepções antigas, como na Roma antiga em que o marido era dono da família, senhor absoluto da vida de sua esposa e filhos. A liderança cristã é baseada na verdadeira hierarquia, não na tirania, e aquela está sempre a serviço. O marido lidera não para mandar, mas para servir. O exemplo de São José deve ser sempre lembrado: embora chefe da Sagrada Família e cabeça do casal que formava com a Santíssima Virgem, sendo que ela lhe era cristamente submissa (não subserviente), Jesus e Maria, que lhe deviam obediência, eram superiores em santidade e em virtude ao santo!

A liderança do marido tem um fim: proteger a família e levá-la ao céu.

A Bíblia mesmo nos diz:

“As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos.” (Ef 5,22-24)

E também:

“Vós, também, ó mulheres, sede submissas aos vossos maridos. Era assim que outrora se ornavam as santas mulheres que esperavam em Deus; eram submissas a seus maridos, como Sara que obedecia a Abraão, chamando-o de senhor. Dela vos tornais filhas pela prática do bem sem temor de perturbação alguma.” (I Pe 3,1.5-6)

Essa submissão não importa em tirania do marido. Ser submissa é estar sob a missão. O marido chefia como quem protege, e não como quem dá leis despóticas. É dele a liderança, principalmente como um representante da família no foro externo, um “ministro das relações exteriores”, como sabiamente explicou, certa vez, em uma conversa, o conhecido apologista católico Carlos Ramalhete. Já a mãe de família, no dizer do mesmo Ramalhete, é a “primeira-ministra”, a quem cabe o gerenciamento do lar, a defesa da prole contra as agressões exteriores, a reação contra as ameaças à família, e a palavra final do controle das coisas internas, dos assuntos referentes aos filhos, à casa etc.

As esposas, “no seu exterior uma compostura santa, não sejam maldizentes nem intemperantes, mas mestras de bons conselhos. Que saibam ensinar as jovens a amarem seus maridos, a quererem bem seus filhos, a serem prudentes, castas, cuidadosas da casa, bondosas, submissas a seus maridos, para que a palavra de Deus não seja desacreditada.”(Tt 2,3-5)

Até porque, se é um dever da mulher a submissão, nunca a subserviência,por outro lado, há, nas mesmas passagens de Efésios e Pedro, mandamentos rigorosos aos maridos!

“Maridos, amai as vossas mulheres, como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com apalavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula,sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim os maridos devem amar as suas mulheres, como as eu próprio corpo. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo. Certamente, ninguém jamais aborreceu a sua própria carne; ao contrário, cada qual a alimenta e a trata, como Cristo faz à sua Igreja - porque somos membros de seu corpo.” (Ef 5,25-30)

Ora,se a submissão da esposa ao marido é uma exigência dura, também o amor que é ordenado ao esposo por sua mulher também o é: um amor igual ao de Cristo pela Igreja! E o que fez Cristo, por seu amor à Igreja? Entregou-se por ela! À esposa, São Paulo, em Efésios, não manda que se entregue à morte pelo marido, não pede maiores sacrifícios do que estar sob a missão, sob a liderança servil do esposo. Mas a este o mandamento é exigente: deve o marido estar pronto para morrer e se entregar por sua mulher, e ser para ela o que Cristo é para a Igreja!

A epístola de São Pedro também traz uma ordem ao marido:

“Do mesmo modo vós, ó maridos, comportai-vos sabiamente no vosso convívio com as vossas mulheres, pois são de um sexo mais fraco.Porquanto elas são herdeiras, com o mesmo direito que vós outros,da graça que dá a vida. Tratai-as com todo respeito para que nada se oponha às vossas orações.” (I Pe 3,7)

Vejam que a “fraqueza” descrita pelo Apóstolo não indica inferioridade, pois ele continua dizendo que as mulheres são herdeiras da graça e com o mesmo direito que os homens, devendo ser tratadas com respeito.

É a fraqueza de uma maior fragilidade física e emocional, em circunstâncias normais, e como regra geral, o que não significa que a mulher deva ser uma “mulherzinha”. As mulheres com “M” maiúsculo vivem com o objetivo de se superar, de aprender e, mais do que tudo, de compreender e servir. Precisamos entender, de uma vez por todas, que há substancial diferença entre feminilidade e frescura. A mulher é o alicerce da casa, da família. E a família é o da sociedade. Logo, cabe às mulheres a árdua tarefa de sustentar os pilares da sociedade. Pois, se o homem é a cabeça, a mulher é seu colo, seu pescoço e, elo entre ela e o resto do corpo. A mulher a movimenta para onde ela deve estar e direciona seu olhar para orumo certo, bem como a deixamos erguida.

A força da mulher está dentro dela, em seu coração, mas este só servirá como uma mola propulsora se estiver cheio de Deus. A mulher tem sua força não em querer ser igual ao homem, mas justamente naquilo que tem de diferente.

Essa complementaridade de missões decorre das diferenças naturais entre homem e mulher.

De fato, a mulher se difere fisicamente do homem não só pela anatomia corpórea, como pela maturidade precoce, pelo ritmo assinalado pelo ciclo menstrual, pela ação forte dos hormônios, sobretudo na tensão que antecede o fluxo, e pela potencialidade de marcar sua existência pela gravidez, nascimento dos filhos e amamentação.Ademais, é notória, em linhas gerais, sua maior vulnerabilidade em relação ao indivíduo do sexo masculino.

Nesse sentido, entendendo-se o ser humano como um ser integral, é inevitável que se chegue a conclusão da existência de características psicológicas próprias da mulher, distintas do homem. Claro, isso não invalida que cada mulher seja única em seu aparelho psíquico, assim como é única em sua conformação física;nem que existam determinados grupos de temperamentos que distingam mulheres umas das outras, aproximem igualmente umas das outras e, até mesmo, as façam semelhantes, por eles, a alguns homens com os mesmos temperamentos, ao menos em alguns aspectos. Há, sem embargo, traços gerais emocionais e espirituais que são específicos do feminino, em contraposição ao masculino. Como fisicamente se completam os corpos masculino e feminino, também nas idiossincrasias psicológicas isso ocorre.

Se o homem é o caçador, a mulher é a protetora da casa.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Indicação de texto: "A imagem da mulher medieval em O Sonho (1399) e Curial e Guelfa (c. 1460)"

Recomendo o excelente texto do Prof. Ricardo da Costa, que ajuda, brilhantemente, a desfazer os equívocos de certa historiografia feminista, a qual enxerga na Idade Média um passado de opressão à mulher.

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Leia aqui.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Não se pode ter tudo

Da coluna Mulher 7x7, da Revista Época, trago este excelente artigo:


Taí um assunto que jamais se esgota: maternidade e trabalho. Hoje, a escritora Martha M. Batalha (mãe de dois), de Nova York, fala das mais novas discussões nos Estados Unidos.

As mulheres carregam sua própria cota de questões existenciais. Desde que o movimento feminista começou, tentamos responder de onde viemos, para onde vamos e o que estamos fazendo aqui. Nos últimos meses, aqui nos Estados Unidos, duas executivas que chegaram ao topo de suas carreiras fizeram declarações reveladoras sobre família e trabalho, causando polêmica sobre a forma como as mulheres profissionais são encaradas na sociedade.

Uma delas é a professora de Princenton Anne-Marie Slaughter. No ano passado ela abandonou o emprego dos seus sonhos, como diretora de políticas de planejamento do Departamento de Estado dos Estados Unidos, em Washington, para passar mais tempo com seus dois filhos adolescentes, em Nova Jersey. Anne-Marie escreveu um artigo para a revista The Atlantic dizendo que o que ela aprendeu com o feminismo estava errado: as mulheres não podem ter tudo, e existe uma hora em que devem escolher entre chegar ao topo de suas carreiras ou dar a devida atenção aos filhos. A outra é a COO do Facebook, Sheryl Sandberg, que declarou em uma entrevista que sai do trabalho todos os dias às cinco e meia para jantar às seis com seus dois filhos de 6 e 8 anos.

No ano e meio em que esteve no governo, Anne-Marie trabalhava quatorze horas por dia. Ela passava a semana em Washington e ia para casa nos fins de semana. Era o marido, também professor universitário, que cuidava dos filhos de 12 e 14 anos enquanto ela não estava por perto. Quando o mais velho começou a ter problemas comuns a qualquer adolescente – notas baixas na escola, mau comportamento em sala de aula e dificuldade de comunicação com os pais –, ela deixou seu cargo, voltou para casa e para a carreira de professora universitária em Princenton. Anne-Marie afirmou que a maioria das mulheres jamais conseguirá chegar ao topo de suas carreiras e manter uma boa vida familiar. As únicas que conseguem conciliar as duas coisas, segundo ela, são:

 1- Extremamente ricas, e que por isso têm ajuda para criar os filhos
2- Supermulheres, que nunca dormem
3- Profissionais liberais, que fazem seus próprios horários

O artigo de Anne-Marie foi o mais lido da história da revista The Atlantic – em circulação há mais de 150 anos. Gerou 200 mil likes no Facebook, centenas de milhares de tweets. Ela recebeu o convite para escrever um livro baseado no assunto e foi entrevistada pelos principais jornais e programas de TV dos Estados Unidos.

Não há novidade no que ela fala. Toda mulher com filhos sabe que, depois do parto, sua vida será para sempre dividida. E a culpa por não trabalhar mais, ou por não passar mais tempo com os filhos, será constante.

O que é novo é o fato de uma mulher extremamente bem sucedida – e que serve de exemplo para as mulheres mais novas – assumir que não pode ter tudo. O que é novo é o fato de uma alta funcionária do Governo afirmar que deixou o emprego dos seus sonhos porque queria acordar de manhã e fazer waffles para os filhos – e dizer isso claramente em uma revista de circulação nacional.

De acordo com Anne-Marie, só será possível conciliar trabalho e vida familiar quando houver uma mudança na forma como as mulheres são tratadas no mercado de trabalho. Sair cedo por conta de algum compromisso com os filhos ou estar em casa a tempo de jantar com a família devem ser ações perfeitamente aceitáveis pelas empresas, o que ainda não acontece. Existe a ilusão de que ficar além da hora significa trabalhar melhor, mesmo que as horas extras trabalhadas sejam pouco produtivas.

É por isso que a declaração da COO do Facebook é tão importante. Quando uma das mulheres mais poderosas do mundo informa que seu tempo com a família é imprenscindível, ela está dando o exemplo para outras executivas e contribuindo para que o mercado de trabalho se torne mais gentil com as mulheres.

É também interessante notar que o artigo de Anne-Marie contradiz as declarações de Sheryl Sandberg. Anne-Marie diz que as mulheres não conseguem manter uma boa vida familiar e chegar ao topo, mas Sheryl chegou a COO do Facebook e janta com a família todos os dias. Vale lembrar que Sheryl se enquadra na categoria 2 das exceções de Anne-Marie – ela é uma supermulher. Tem diploma de Harvard e, antes de ser COO do Facebook, foi vice presidente do Google e alta funcionária do gabinete do governo Clinton.

Para o resto de nós, mortais, resta os rebolados de conciliar carreira e filhos. E torcer para que outras executivas e executivos pelo mundo sigam o exemplo da COO do Facebook.




sexta-feira, 13 de julho de 2012

Gambás e alcatras

Artigo do Carlos Ramalhete na Gazeta do Povo de ontem:



Gambá é um bicho que é muito atropelado. Não é difícil entender o porquê, quando se os vê atravessando a estrada, rebolando e jogando aquele rabão feio e pelado de um lado para o outro. Carcaça de gambá atropelado é uma dessas coisas que só urubu pode achar apetitoso, mas que são frequentes o suficiente para que quem viaja muito sempre as veja.

Em ambientes controlados, refrigerados e limpos, vemos outro tipo de carcaça animal: belas peças de alcatra e picanha, penduradas nas vitrines dos açougues. Tão bonitas que acho que o urubu iria demorar para entender que é para comer.

O problema começa quando o tratamento dado às alcatras começa a ser estendido a seres humanos, como fazem os muitos homens que tratam as mulheres como coisa, como peças de carne expostas em açougues. É um problema sério, que só pode ser combatido fazendo com que eles percebam que elas são muito mais que peças de carne. Reafirmando a sempre existente dignidade feminina que eles negam.

Infelizmente, há quem ache que a solução é passar de alcatra a carcaça de gambá atropelado. Como triste exemplo, sábado teremos uma passeata de carcaças de gambá em Curitiba, quando a edição local da “Marcha das Vadias” vai tentar desfazer o que resta de respeito à dignidade feminina, com direito a senhoras seminuas, com frases de efeito rabiscadas pelo corpo, berrando como almas penadas e assustando as crianças, os cachorros e mesmo algum gambá ou urubu perdido na cidade.

O equivalente masculino talvez fosse uma passeata de barrigudos de cuecas, com o controle remoto numa mão e a latinha de cerveja na outra, arrotando e coçando as partes, como forma de protesto contra a falta de reconhecimento da dignidade masculina. E, mesmo assim, seria um mal menor que a “Marcha das Vadias”, porque a dignidade feminina é infinitamente maior que a masculina. Sua negação – em grau menor pelos donjuans de porta de botequim e em dose máxima pelas vadias urrantes – é um atentado maior que a da masculina, por ser mais digno o alvo do atentado.

Costumo dizer que o feminismo tirou a mulher do pedestal e a arrastou para o açougue; as “vadias”, querendo ser carcaças de gambás atropelados, são apenas a versão já farsesca do mesmo erro fundamental de querer fazer a mulher descer ao nível do homem, achando que isto seria uma forma de melhorar sua situação social. A imbecilidade machista deve ser combatida pela afirmação da dignidade e da capacidade feminina, não pela imitação do pior do sexo masculino.

Nem alcatra, nem gambá: mulher.

domingo, 27 de maio de 2012

A Marcha das Vadias e a intolerância do movimento feminista

Do Ecclesia Una:

Ano passado fiz uma rápida menção à Marcha das Vadias, aqui, neste espaço. Na ocasião, deplorava que mulheres saíssem quase à paisana pelas ruas, exigindo respeito, quando está claro que “a forma como uma mulher se veste interfere decisivamente na maneira como ela é tratada pelo homem”, como mostra uma pesquisa desenvolvida há algum tempo na Universidade de Princeton. Este feminismo agressivo, desnudo, não ajuda as mulheres. No decorrer dos últimos séculos, estas lutaram com bravura na defesa de seus direitos, obtiveram conquistas importantíssimas… só que os anseios deste novo movimento que se forma são terrivelmente perversos. Entre as bandeiras levantadas pelo grupo, podemos citar a legalização do aborto, a aceitação geral da libertinagem sexual e o ódio e fúria contra as manifestações religiosas de pensamento – das quais a cristã é a principal.

Neste sábado, dia 26, aconteceu novamente a Marcha das Vadias. A manifestação aconteceu em várias capitais brasileiras, e também em Toronto, no Canadá. “Nós estamos defendendo uma educação mais humanista contra a violência cometida contra a mulher. Queremos ter o direito de nos vestir como quisermos, sem dizer que estamos provocando o estupro e que a causa do crime é o estuprador”, disse uma professora, provavelmente organizadora do evento. O G1 publicou uma galeria de fotos da marcha – as manifestantes pintaram seus corpos e estenderam cartazes com frases do tipo “Sou livre”, “Meu corpo”, “Não vim da sua costela, você que veio do meu útero”, “Vadia hoje, vadia amanhã, vadia sempre” (!), “Nem santa, nem puta”, “Sim, nós gozamos” et caterva. No Rio, uma mulher se fantasiou de freira e escreveu a palavra “vadia” no peito. Em São Paulo, o protesto ocorreu com os seios à mostra.

Ainda no Rio, o mesmo G1 informa que “parte do grupo tentou entrar na igreja [de Nossa Senhora de Copacabana] e uma das manifestantes tirou a camisa, ficando com os seios de fora no pátio do templo”. E isto durante a celebração de uma Missa com crianças! Este protesto feminista já é um verdadeiro esculacho, mas elas não consideram isto suficiente. Têm que destilar sua intolerância contra a religião… E por quê? Porque a doutrina católica aponta as incoerências do seu proceder, porque o mistério do Cristianismo – do Deus que se fez Homem e se entregou por amor – incomoda estas pessoas que desconhecem a noção de sacrifício, de penitência. Que elas não acreditem em tudo isto… é direito delas! O que pedimos é respeito, o que pede a Constituição Federal é respeito. Mas, entende-se a situação: quem não consegue respeitar nem o próprio corpo, como pode respeitar a religião dos outros?!

A informação que chega até nós é a de que a Polícia Militar interveio “e um policial chegou a usar gás de pimenta para dispersar o grupo”. Só que “ninguém foi preso”.

Estamos na seguinte situação: uma pessoa invade um templo católico, exibe os peitos no interior da igreja e nada acontece. Mas se por acaso um pastor ou um padre católico decidem criticar o comportamento homossexual e as consequências funestas que daí advém, o discurso pode ser enquadrado como preconceituoso. Como é de conhecimento, uma reforma prevista no Código Penal pretende criminalizar a chamada “homofobia”, enquanto os atos de vilipêndio religioso que as paradas gays têm promovido nos últimos anos permanecem impunes.

Manifestações insidiosas estas que vêm acontecendo ultimamente. A culpa do crime de estupro não deve ser imputada à mulher – e não é isto que defendemos. Mas, sim, roupas indecentes desfiguram qualquer criatura. Boa parte de nossas mães e esposas não concorda com esta Marcha das Vadias, e o motivo é simples: para ser livre, uma jovem não precisa ser vadia; para ser livre, uma jovem precisa ser modesta.

Graça e paz.
Salve Maria Santíssima!

quarta-feira, 7 de março de 2012

Thatcher e o feminismo

As palavras seguintes, pronunciadas pela ex-primeira-dama do Reino Unido (portanto, uma mulher livre, com carreira de destaque, plenamente realizada na vida profissional), são certeiras, neste 8 de março, em que muitas comemoram o “Dia Internacional da Mulher”:

"Não devo nada ao movimento de libertação das mulheres. As feministas odeiam-me, não é? Não as posso culpar uma vez que odeio o feminismo. É puro veneno."

image

Mulher sem medo de ser bonita e boa

Por ocasião do dia 8 de março, que as feministas insistem em ser da mulher, um belo artigo sobre a verdadeira feminilidade:

ZP12030607 - 06-03-2012

Mulher sem medo de ser bonita e boa

A jornalista e escritora Constanza Miriano fala sobre o seu 8 de Março

ROMA, terça-feira, 6 de marco de 2012 (ZENIT.org) - A jornalista do TG3 Constanza Miriano está longe do estereótipo da feminista. É profundamente católica, mas muito diferente do estereótipo da garota que cresceu na capela.

Seu primeiro livro Sposati e sii sottomessa (Vallecchi) foi o acontecimento editorial do ano passado, acabando com todos os clichês sobre as mulheres e as famílias de hoje. Na entrevista que deu a Zenit, poucos dias antes do Dia Internacional da Mulher, Miriano volta a falar sobre os temas abordados por ela, com sua ironia habitual "Chestertoniana".

Estamos muito perto do 08 de março, uma festa que é um "totem" para as feministas. Outras mulheres, no entanto, querem aboli-la ...

Constanza Miriano: Eu pertenço à segunda categoria! Hoje em dia eu vejo uma situação de desequilíbrio a nosso favor, no sentido que não vejo tantas mulheres discriminadas, exceto nos casos em que não quero desprezar, de abusos. Pelo contrário, vejo a figura do homem cada vez mais degradado, débil, sentimental, forçado a cuidar e desenvolver papéis que não são propriamente masculinos. Falar do homem como autoridade, enérgico, forte equivale quase a insultá-lo, chamando-o de tirano ou machista. Mas acredito que os papéis devem ser absolutamente redescobertos e valorizados, já que um complementa o outro. Assim, com as reivindicações feministas, eu não compartilho.

Se eu desligar a televisão e se eu fechar o jornal, se eu olhar para as mulheres "de carne e osso" que conheço, as reivindicações que fazem são sobre a maternidade, sobre os filhos;  não querem ser obrigadas a trabalhar, ou muito menos querem fazê-lo, dando um contribuição para a sociedade, sendo forçadas a deixar seus filhos por um tempo irracional. Acho que esta é a verdadeira batalha: a da mãe.

Em termos de "emancipação" a batalha está totalmente ganha: se pensamos na minha diretora do TG, Bianca Berlinguer, e na minha diretora geral, Lorenza Lei, são mulheres ... Para conquistar papéis de "poder", que tem tempos e modos masculinos, as mulheres devem deixar de lado a família, a parte humana.

Nos últimos quarenta anos quem tem visto seu papel distorcido, o homem ou a mulher?
Costanza Mriano: O homem sem sombra de dúvida. Roberto Marchesini, escreveu um livro sobre isso, Aquilo que os homens não dizem (Sugarco). Esta publicação explica a retórica à qual o homem deve "feminilizar-se", assumir papéis de cuidado, acudir as crianças, tirar uma licença parental. Eu, pessoalmente, concordo com o Magistério da Igreja e a Bíblia que "homem e mulher os criou”. A distinção sexual não é uma "entidade externa", mas refere-se a duas diferentes formas de encarnação do amor de Deus.O homem deve ter o papel de guia: Se ele começa a trocar fraldas ou preparar as refeições não poderá ser a autoridade ...


O Papa Bento XVI propôs, como  intenção de oração para março, o reconhecimento da contribuição das mulheres para o desenvolvimento da sociedade. Que tipo de reconhecimento, na sua opinião, espera o Santo Padre?

Constanza Miriano: Não o reconhecimento das partes rosas! Eu acredito que pretenda que as mulheres redescubram a beleza do seu papel, particularmente o  maternal. Nós somos as primeiras que tendemos a esquecer esse papel ou a colocá-lo entre parênteses. Como o próprio Papa escreveu na Carta sobre a colaboração entre homem e mulher, a mais nobre vocação para as mulheres é despertar o bem que existe ns outro, para promover seu crescimento. É ela que primeiramente doa a vida ao filho e depois àqueles ao redor dela, com sua capacidade de valorizar os talentos, de se relacionar, de acolher, de mediar, de ver as coisas a partir de múltiplos pontos de vista.

O homem, mesmo na família, tem uma espécie de amor mais voltado para fora, é aquele que constrói no mundo do trabalho, que fecunda a terra. O homem caça e a mulher colhe! Tenho certeza que o Papa não se refere às batalhas feministas, mas espera que as mulheres tornem a abraçar o seu papel, porque, como tudo o que a Igreja ensina-nos, é para nossa felicidade mais profunda. Vejo muitas mulheres que têm negado esta parte mais feminina da vocação, que investiram tudo no trabalho, ou melhor na carreira, renunciando aos filhos e, no final, sofrem.

Qual foi o modelo feminino em sua vida?
Constanza Miriano: Eu tenho muitas. Mulheres que sabem  'espalhar a vida’ adiante são profundamente cristãs. Duas delas, aliás, são mães de seis filhos: uma optou por ficar em casa, a outra em ser médica. Esta última, com uma atividade particular, então flexivel  como o tempo, conseguiu harmonizar bem família e trabalho.
Penso, no entanto, na Irmã Elvira da Comunidade Cenáculo de Saluzzo, que é mãe, de outra forma, de milhares de crianças. Antes dela, tivemos um monte de santas: Teresa de Ávila, Teresa de Lisieux, Catarina de Sena, Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), Gianna Beretta Molla, todas as mulheres muito fortes e corajosas que me inspiram e que eu gostaria de ser semelhante.

No mundo do entretenimento, da TV e dos filmes, da uma ênfase particular sobre a beleza feminina, muitas vezes, não na moldura do bom gosto e da elegância. Os meios de comunicação podem devolver a dignidade à mulher?
Constanza Miriano: Um justo cuidado de si como mulheres não é ruim. Nós mulheres católicas às vezes nos iludimos que cuidando do espírito  podemos cuidar menos do corpo, mas acredito que para uma mulher casada é quase um dever de ser agradável. Eu mesma adoro ser um pouco vaidosa e "superficial"! Muitas vezes eu tenho as encíclicas do Papa borradas de esmalte ... não vejo conflito entre a beleza física e a espiritual. Eu amo o esporte e pratico muito. A beleza é um dom: deve ser acolhido, cultivado e guardado, claro, sem "jogar pérolas aos porcos", sem expor de maneira vulgar. No final, o que vemos na televisão é o resultado natural da luta feminista.

Acho que os meios de comunicação podem restituir a dignidade da beleza feminina, não censurando ou condenando,nem destacando o mal, mas mostrando que a verdadeira beleza e a verdadeira felicidade é outra coisa. Nosso desafio como católicos não é fazer o moralista ou o preconceituoso:  não é isso que convence o coração. Precisamos mostrar uma beleza maior, testemunhando, mesmo com esmalte e bronzeada, que a verdadeira felicidade é outra. Não é dito que uma mulher que tem muitos filhos e vive toda uma vida com um único marido, deve necessariamente enfeiar-se. Nosso desafio, como católicos, é mostrar a razoabilidade profunda da fé e a miséria profunda e inevitável que vem de não acreditar. Eu não acho que pode haver felicidade sem Deus, nossos corações são feitos para Ele. Nem mesmo para Brad Pitt e Angelina Jolie vai haver felicidade sem Deus!

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Por Luca Marcolivio

(tradução:MEM)

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Do pedestal ao açougue

Artigo do Carlos Ramalhete, publicado ontem na Gazeta do Povo:

Costumo dizer que o feminismo tirou a mulher do pedestal para colocá-la no açougue. Nesta semana, infelizmente, pude perceber os dois lados da mesma triste moeda da negação da dignidade feminina.

Um adolescente me contou, chocado, de uma festa em que as mocinhas adolescentes dançaram na boquinha da garrafa e os rapazes se embebedaram para, confessadamente, terem coragem de agarrá-las à força.

No mesmo dia, eu li um texto pregando uma forma puritana e exagerada de pudor, que recomenda que as moças andem enroladas em panos rijos, como nas prescrições dos mais loucos fundamentalistas islâmicos.

Ambas as visões partem do pressuposto de que as mulheres não têm dignidade alguma. Para os primeiros, elas são frutas que rebolam para mostrar que estão maduras e prontas para colher. Para os segundos é a mesma coisa, o que os leva à recomendação de reduzir a visibilidade da sua condição feminina.

Ora, a dignidade feminina existe e a mulher deve ser respeitada, inclusive por ela mesma. Uma mulher em situação degradante choca mais que um homem na mesma situação, justamente por ser a dignidade da mulher maior que a do homem.

Quando uma moça se apresenta como mero objeto sexual, a ser agarrado a laço ou tendo que se esconder atrás de panos rijos e informes para não o ser, ela está atentando contra a dignidade de todas as mulheres. E o homem que partilha dessa percepção da mulher como coisa ou bem de consumo atenta não só contra a dignidade feminina, mas também contra a sua própria masculinidade, que deveria ser expressa como cavalheirismo.

O corpo da mulher atrai o homem; se não fosse assim, nenhum de nós teria nascido. Mas essa atração serve para que ambos se unam e, juntos, criem seus filhos. Filhos não são criados por peças de carne, sim por pessoas. Quando se nega, na prática, que a mulher seja uma pessoa, nega-se o próprio sentido da beleza dela. É o equivalente sexual da anorexia, do comer e vomitar para não aproveitar a nutrição e reconhecer na comida apenas o seu cheiro e sabor.

Entre o armário com shortinhos que mais parecem pochetes e o outro com fronhas gigantes para esconder que ali está uma mulher, deve haver um em que a moça pode se vestir de moça, em que a sua feminilidade será celebrada tanto na beleza quanto na dignidade, em que ela não será vista como bem de consumo, sim como pessoa digna de amor e de respeito.

A nós, homens, compete amá-las e respeitá-las como se elas já houvessem encontrado esse armário, sempre. Como as pessoas – não frutas – que elas são.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Frutos podres do feminismo

Do blog do Dr. Andrei Salvioni, médico e esposo de minha amiga, Alessandra Leão Salvioni:

Frutos podres do feminismo

Nesse último domingo, estava eu e minha esposa assistindo televisão, e como é de costume, eu não encontrava um programa decente. Aos domingos à tarde, há um grande número de programas de auditório; e nestes observamos um grande número de dançarinas semi-nuas, além de apresentadoras e/ou convidadas com microvestidos, microsaias, microblusa, etc... Será que essa é a dignidade com a qual toda mulher sonha? Expor as partes mais nobres e belas de seu corpo, incitando a imaginação masculina é um fruto louvável da tal "conquista" feminista?

Hoje, observamos por toda parte quão é agredida a dignidade da mulher. Nas bancas de jornais vemos inúmeras revistas expondo seus corpos. Em belo horizonte, há ao menos 3 jornais que colocam mulheres semi-nuas na primeira capa. É uma forma de atrair o homem pelo desejo, pela fraqueza da carne; pois disse Nosso Senhor: o espírito está pronto, mas a carne é fraca (Mt 26,41). Nessas mesmas bancas há uma exposição massiva de revistas pornográficas; elas não ficam escondidas, mas às vistas, como iscas para atrair os consumidores. E, no final, todos acham absolutamente normal; inclusive as próprias mulheres. "É arte", dizem algumas.

Há um ditado pernicioso que diz que o que é bonito, é para se mostrar; eu, porém, digo que o que é belo no corpo feminino, é para ser guardado. Assim como os tesouros, as nossas relíquias, os nossos bens de valor são guardados em cofres, baús; assim se deve proceder com o corpo da mulher, até o momento oportuno, onde poderá compartilhar suas riquezas com aquele a quem jurou fidelidade diante do Altíssimo.

As feministas venderam uma "verdade" bem traiçoeira. Incitaram as mulheres a saírem dos lares, evitarem os filhos, abortarem, divorciarem, abandonarem sua vocação para serem "iguais" aos homens. Mas como serem iguais, se são tão diferentes, meu Deus?! Ambos tem papéis diferentes na sociedade, conforme a natureza de cada um.

Elas entraram no mercado de trabalho, estão galgando postos cada vez mais altos no meio empresarial, político e científico. E tudo isso às custas de quê? Nosso Senhor já nos dizia que uma árvore boa não pode produzir frutos ruins. E o que nós vemos são só frutos podres. As famílias vem sendo corroídas, os filhos cada vez mais revoltados e desobedientes, caindo nas drogas; divórcios aos montes, crescimento do aborto, o aumento da incidência de depressão e transtornos de ansiedade entre as mulheres... E será que apesar disso tudo elas estão felizes? Não acredito; sinceramente, não acredito.

Que Nossa Senhora, modelo de prática de todas as virtudes, modelo de mãe, esposa e mulher, possa ter misericórdia de todos nós e interceda para que as mulheres reconheçam sua vocação e ajudem a reestruturar nossa sociedade corroída e mergulhada nos vícios.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Lar, doce lar


Na tendência de mulheres priorizarem a família em lugar da carreira, algumas decidem voltar a ser donas de casa

Por décadas, as mulheres lutaram por trocar o avental de dona de casa por uma carreira e conseguiram chegar longe: são maioria nos cursos de graduação e pós-graduação e ocupam cada vez mais postos de gerência e diretoria. Mas agora surge um movimento na direção contrária: há mulheres reivindicando o direito de fazer exatamente aquilo que suas avós e as avós de suas avós faziam – cuidar dos filhos e da casa.


Diferentes pesquisas apontam que cada vez mais mulheres desejam priorizar a família. Na classe AB, de acordo com estudo Movimentos Femininos, do Ibope, esse percentual subiu de 8%, em 2005, para 15%, em 2008. Levantamentos com mulheres porto-alegrenses, da Rohde & Carvalho Diagnóstico e Pesquisa, indicam que, entre 2000 e 2007, reduziu-se à metade a parcela de mulheres que coloca a carreira em primeiro lugar. Mas algumas vão além de desacelerar o ritmo: movidas pelo desejo de acompanhar de perto os primeiros anos de vida dos filhos e amparadas por um marido com condições e disposição para ser o provedor da família, optam por interromper a carreira.

– Depois de décadas lutando, a mulher se deu conta de que os múltiplos papéis só estressam, viu que não dava conta de tudo. E fez uma opção – avalia Liliane Rodhe, professora da ESPM e sócia-diretora da Rohde & Carvalho.

Nesse retorno ao lar, as mulheres encontram um contexto diferente daquele vivido por suas avós: elas foram educadas para serem independentes em um tempo em que homens são cobrados a compartilhar direitos e responsabilidades, distantes do provedor à moda antiga.

Há quatro meses, antes mesmo de saber que estava grávida do segundo filho, a agente de viagens Roberta Saltz, 28 anos, decidiu deixar o emprego para se dedicar à filha, Sofia, dois anos e meio: julgava que a menina precisava mais do que quatro horas por dia com a mãe. O marido, o empresário Sandro Saltz, 35, admite que, no início, achou a ideia “meio retrógrada”, mas apoiou a decisão ao perceber que era importante para Roberta e por entender o afastamento dela do mercado como uma fase, até que os filhos fiquem maiores.

– Não estou trazendo dinheiro para casa, mas estou cuidando da nossa filha e da nossa casa. A vida em família está bem melhor – afirma Roberta.

– Está sendo muito positivo. – diz Sandro – Mas é legal ela ter outras atividades, além de casa e filhos, para não cair na mesmice da dona de casa da antiga.

A reinvenção do papel de dona de casa não significa necessariamente esquentar a barriga no fogão. As recém-chegadas são administradoras do lar, contam com a ajuda de empregadas (e eventualmente dos maridos), administram contas e compras, mantêm-se atualizadas, têm mais tempo para si mesmas e para os maridos – embora a prioridade seja os filhos. E apesar de já terem ouvido muito a pergunta “O que tu fazes o dia inteiro?”, afirmam que nunca falta o que fazer: a parada estratégica pode ser também o momento de investir em cursos de especialização de olho na volta ao mercado.

Essa foi a escolha de Lisiane Lahorgue, 33 anos. Ela atuava como coordenadora nacional de eventos e patrocínios de uma empresa de telefonia, viajava o Brasil todo e mal conseguia acertar a rotina com a do marido, diretor de arte de uma agência de publicidade. Decidiram diminuir o rimo para ter filhos e combinaram que ambos tentariam um emprego no Exterior: ele conseguiu primeiro, e Lisiane o acompanhou a Berlim, na Alemanha, lá engravidou e hoje estuda alemão, faz cursos de atualização e prepara a chegada de Alexandre, prevista para outubro.

– Minha mãe quase não acreditou que eu iria largar uma carreira bem-sucedida para cuidar de casa, marido, filhos. Mas minhas amigas, que trabalhavam na mesma área que eu, me apoiavam e diziam que gostariam de estar no meu lugar – conta Lisiane.

A advogada Manuela Monteiro, 26 anos, diz ouvir os mesmos relatos de outras mulheres. Ela deu à luz a Marina pouco antes de se formar, em 2007, e a família aumentou há quatro meses com a chegada de Martín. O plano de ter filhos cedo e de Manuela adiar a entrada no mercado foi uma decisão conjunta com o marido: um projeto afinado com um fenômeno que se esboça nos Estados Unidos, em que as mães, cada vez mais jovens, optam por dar à luz antes de engrenar na carreira.

– Quero curtir meus filhos e depois tenho a vida inteira para trabalhar – diz Manuela. – Minhas amigas dizem para eu aproveitar essa chance.

Por trás do desejo de voltar-se para a família está o afã geral de brecar a correria da vida cotidiana e uma vontade específica das mulheres que, em sua maioria, enfrentam uma jornada dupla administrando carreira, casa e filhos.

– As mulheres perceberam que ocuparam um pouco o lugar que era do homem, mas que ninguém ocupou o espaço dentro de casa – avalia Rubens Hannun, presidente do H2R Marketing em Pesquisas Avançadas, que também detectou a tendência de se voltar mais à família entre mulheres executivas.

Mas feministas veem com desconfiança essa volta ao papel de dona de casa. A historiadora Joana Maria Pedro, coordenadora do Instituto de Gênero da Universidade Federal de Santa Catarina, acredita que essa escolha pode significar no acordo do casal que as crianças são responsabilidade da mulher. E pergunta:

– Por que o marido não fica com as crianças, e elas seguem sua carreira?

No cenário atual, em que mulheres lutam por equiparação de salários, a resposta de Leila Costa, 40 anos, formada em Educação Física e ex-sócia de uma loja de decoração, possivelmente vale para muitas donas de casa por opção:

– Nem pensamos nessa alternativa, meu marido ganhava mais do que eu.

Leila deixou o trabalho para cuidar da filha, Isadora, quatro anos, e hoje, grávida novamente, confecciona bijuterias em casa em parceria com uma amiga.

– A decisão de parar de trabalhar foi fácil. Ficamos muito tempo tentando ter um bebê e sempre falei que não teria um filho para os outros cuidarem.

Em sua dissertação de mestrado, a psicológa Sabrina D’Affonseca, de São Carlos, comparou o desempenho escolar das crianças e indicadores de estresse tanto de famílias em que a mãe trabalhava fora, quanto nas que a mãe era dona de casa. E não encontrou diferenças relevantes – a não ser a culpa das que passavam o dia longe dos filhos e o medo que tinham de, com isso, prejudicar sua educação. Motivos fortes o bastante para impulsionar novas tendências.

Investimento na família

Em 2000, 56% das entrevistadas em Porto Alegre priorizavam a carreira. Esse número caiu para 27% em 2007.

Fonte: Rohde & Carvalho

Em 2005, 8% das mulheres da classe AB enquadravam-se no grupo intitulado “Família é tudo”. Em 2008 o percentual quase dobrou: 15%. São mulheres que se sentem realizadas nos papéis de mãe, esposa e dona de casa.

Na contracorrente

Com a estabilidade financeira, maior escolaridade e crescimento no mercado, as mulheres da classe C descobrem outras realizações além do lar. Em 2003, 67% das entrevistadas diziam realizar-se através dos filhos. Em 2008, foram apenas 45%.

Fonte: estudo Movimentos Femininos, promovido pelo Ibope e pelo Grupo Abril


PATRÍCIA ROCHA - http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2592505.xml&template=3898.dwt&edition=12786&section=1535

segunda-feira, 15 de março de 2010

A mulher e a moral cristã

Excelente texto, já antigo, do Prof. Felipe Aquino:

A mulher e a moral cristã


“A mulher não nasce, se faz”. Esta frase de Simone Beuavoir, líder feminista radical, se converteu em um verdadeiro estandarte deste movimento. Vários fatos concorreram para isso: a revolução sexual e feminista inspirada em um neo-marxismo, e facilitada pela pílula anticoncepcional, desenvolvida na década de 60.

O movimento feminista radical inspirou-se no marxismo e criou a tal ideologia de “Genero” (do inglês Gender). Para Karl Marx, toda a história é uma luta de classes, de opressores contra oprimidos, em um batalha que terminará só quando os oprimidos se conscientizarem de sua situação, fizerem uma revolução e impuserem a “ditadura dos oprimidos”. A sociedade será, então, totalmente reconstruída e emergirá a “sociedade sem classes”, livre de conflitos e que assegurará a paz e prosperidade utópicas para todos. Isto foi aplicado na Russia, China, Cambodja, Viet Nam, Laos, Cuba, etc. e gerou 100 milhões de mortos, e nada gerou de bom.

Foi Frederick Engels quem colocou as bases para a união do marxismo e do feminismo. O feminismo do “gênero” foi lançado pela primeira vez por Christina Hoff Sommers, em seu livro “Who stole feminism?” (Quem roubou o feminismo?)

A ideologia do “gênero” reinterpretou a história sob uma perspectiva neo-marxista, em que a mulher se identifica com a classe oprimida e o homem com a opressora. O matrimônio monógamo é a síntese e expressão do domínio patriarcal. Toda diferença é entendida como sinônimo de desigualdade, e portanto é preciso acabar com ela. O antagonismo se supera com a luta de classes. Então, as mulheres “devem ir à luta”.

Essa ideologia penetrou nas Nações Unidas (ONU) e então começou sua carreira ascendente. A primeira conquista foi em Pequim, em 1995, na IV Conferência da Mulher, da ONU, com um documento final que estabelecia uma série de pautas para implantar a ideologia. Desde então esta ideologia está se infiltrando cada vez mais nos costumes e na educação (colégios, universidades e meios de comunicação).

A tal ideologia de “gênero” (gender) hoje exige a eliminação de qualquer tipo de diferenças sexuais. Esta perigosa ideologia difunde que a moral cristã é discriminatória a respeito da mulher, e que é um obstáculo para seu crescimento e desenvolvimento; logo, precisa ser destruída. Assim, muitas organizações feministas promovem o aborto, o divórcio, o lesbianismo, a contracepção, o ataque à família, ao casamento, e, sobretudo à Igreja Católica; pois são realidades “opressoras” da mulher.

Mas na verdade foi o oposto; foi o Cristianismo quem libertou a mulher da condição de quase escrava e que se encontrava de modo geral no mundo pagão. O papa João Paulo II afirmou na Carta Apostólica “Dignitatem Mulieris” (n. 12) que: “Admite-se universalmente — e até por parte de quem se posiciona criticamente diante da mensagem cristã — que Cristo se constituiu, perante os seus contemporâneos, promotor da verdadeira dignidade da mulher e da vocação correspondente a tal dignidade. Às vezes, isso provocava estupor, surpresa, muitas vezes raiando o escândalo: «ficaram admirados por estar ele a conversar com uma mulher» (Jo 4, 27), porque este comportamento se distinguia daquele dos seus contemporâneos. «Ficaram admirados» até os próprios discípulos de Cristo. O fariseu, a cuja casa se dirigiu a mulher pecadora para ungir os pés de Jesus com óleo perfumado, «disse consigo: “Se este homem fosse um profeta, saberia quem é e de que espécie é a mulher que o toca: é uma pecadora”» (Lc 7, 39). Estranheza ainda maior ou até «santa indignação» deviam provocar nos ouvintes satisfeitos de si as palavras de Cristo: «Os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus » (Mt21, 31)”.

Cristo e o Cristianismo resgataram a mulher. Naquele tempo ela não podia, por exemplo, ser testemunha diante do Sinédrio, o tribunal dos judeus, sua voz não valia. Quantas mulheres se destacaram no Cristianismo já no seu início. Santa Helena, mãe do imperador romano Constantino foi uma gigante; a rainha dos francos Clotilde, esposa de Clovis, rei dos Francos, Joana DÁrc, e tantas outras santas, mártires. A Igreja lutou contra o adultério também por parte do homem; o que não acontecia no mundo antigo. A proibição do divórcio deu grande proteção às mulheres. Além disso as mulheres obtiveram mais autonomia graças ao Catolicismo. Na Idade Média católica a rainha era coroada como o rei, geralmente na Catedral de Rheims, na França, ou em outras catedrais. E a sua coroação era tão prestigiada quanto a do Rei; o que mostra que a mulher tinha importância. A última rainha a ser coroada foi Maria de Medicis em 1610, na cidade de Paris. Algumas rainhas medievais tiveram papel importante na história, como Leonor de Aquitânia († 1204) e Branca de Castela († 1252); no caso de ausência, doença ou morte do rei, exerciam o seu poder.

Foi só no século XIX, mediante o “Código de Napoleão”, que aconteceu o processo de despojamento da mulher novamente: deixou de ser reconhecida como senhora dos seus próprios bens, e, em casa mesmo, passou a exercer papel inferior.

A mulher foi por muitos séculos a reserva moral do Ocidente. A ela competia o ensino daquelas coisas que se não se aprende nos primeiros anos de vida, não se aprendem mais. Ela ensinava os filhos a rezar e a distinguir o bem do mal; ensinava o valor da família e das tradições. Mas hoje em dia o feminismo radical, eivado e ateísmo, gerou a banalização do sexo e o hedonismo, fazendo suas vítimas, levando a mulher a perder o sentido do pudor, da maternidade e da piedade.

Isto não significa que, sem descuidar dos afazeres familiares, e na medida de sua vocação, a mulher não possa também dar a contribuição feminina no âmbito a cultura, das artes, da economia, e inclusive a política. Mas tudo isso sem prejuízo do sentido de piedade, do pudor e de maternidade que sempre foram o suporte da formação das pessoas e das sociedades do Ocidente.

Infelizmente hoje cresce esta perigosa ideologia de “gênero” (gender) que avança de maneira destruidora nas escolas e nas universidades, se propaga pela mídia e começa a moldar a cultura do povo. Para esta ideologia não existe mais sexo, apenas “gênero”; é a pessoa que define o seu sexo e não a natureza. Assim, não tem mais sentido falar em pai, mãe, filho, filha, neto, neta, avô, avó, marido e esposa, homem e mulher. Os sexos não são dois, mas cinco: homem heterossexual, homem homossexual, mulher heterossexual, mulher homossexual e bissexuais. Violentando a natureza, se destrói a mulher, o casamento, a família e a sociedade. É isto que começa agora a ser ensinado a nossas crianças e jovens nas escolas.

É por isso que a ideologia de “gênero” odeia a religião, a natureza, a família e o casamento. Tudo precisa ser destruído, desconstruído, por que tudo isso “sufoca e escraviza a mulher”. É preciso não ignorar tudo isso.

Prof. Felipe Aquino - www.cleofas.com.br